Lei pioneira de Araxá para combate à murta passa a ser adotada por outros municípios mineiros

A estratégia criada em Araxá para combater a murta, planta hospedeira da praga que ameaça os citros, começa a ganhar força em todo o estado. O modelo adotado no município já está sendo replicado por outras cidades mineiras como parte de uma mobilização para proteger a citricultura e conter o avanço do greening, considerada a doença mais destrutiva da cultura da laranja no mundo.

A iniciativa teve origem em um projeto aprovado em 2024 e transformado em lei municipal, com foco na eliminação da murta (Murraya paniculata), espécie que serve de abrigo para o psilídeo, inseto responsável por transmitir a bactéria causadora da doença.

De acordo com o secretário municipal de Agricultura, Osmar Gonçalves, a proposta surgiu como uma medida preventiva, baseada em experiências internacionais que demonstram os impactos da falta de controle da praga.

“A gente quis fazer diferente do que aconteceu na Flórida, nos Estados Unidos, onde os laranjais praticamente acabaram. Eles demoraram a agir e, quando perceberam, o problema já estava instalado. Hoje produzem muito menos e com qualidade inferior”, explica.

Segundo ele, o greening não tem cura e se espalha rapidamente entre as plantas. Por isso, o foco do trabalho em Araxá é eliminar o ambiente favorável à proliferação do inseto transmissor.

“A murta funciona como um hospedeiro permanente. É como um ‘hotel’ para o psilídeo, porque permanece verde o ano inteiro. Eliminando essa planta, a gente reduz drasticamente a presença do inseto e, consequentemente, o risco de contaminação dos pomares”, destaca.

Modelo de Araxá vira referência
A legislação criada no município proíbe o plantio, a comercialização e o transporte da murta, além de prever a erradicação das plantas já existentes e ações de fiscalização. A partir dessa experiência, Araxá passou a liderar um movimento de conscientização junto a outros municípios.

Cidades como Ibiá e Sacramento já aprovaram leis semelhantes, enquanto outros municípios do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro estão em processo de adesão ou discussão da proposta.

“Não adianta só um município fazer a sua parte. Se o vizinho não fizer, o problema volta. Por isso, a gente está trabalhando para criar um cinturão de proteção, envolvendo toda a região e, futuramente, Minas Gerais inteira”, afirma o secretário.

Proteção da citricultura e desenvolvimento econômico
A ação ocorre em um momento de crescimento da citricultura mineira, impulsionada pela migração da produção de outros estados e pelas condições favoráveis de solo, clima e altitude.

Em Araxá, a produção já apresenta desempenho acima da média nacional, com produtividade superior à de outros polos tradicionais, segundo o secretário.

“O nosso objetivo é proteger esse potencial. A citricultura pode gerar emprego, renda e desenvolvimento para a região, mas precisa ser feita com responsabilidade e prevenção desde o início”, ressalta.

Além da retirada da murta, o município também atua em parceria com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) na fiscalização de viveiros e na orientação de produtores, reforçando as medidas de controle e vigilância.

A expectativa é que, com a ampliação das ações e a adesão de novos municípios, Minas Gerais avance na construção de uma barreira sanitária eficiente contra o greening, garantindo a sustentabilidade da produção de citros no estado.

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